Capítulo 2
A resposta
Por Helena Vasconcelos · 5 de novembro de 2026 · 7 min de leitura
Escrever para um desconhecido era estranhamente libertador. Clara contou, em uma folha de papel creme, sobre o dia cinzento, sobre como a frase dele tinha mudado sua tarde, e sobre o quanto sentia falta de conversas que não aconteciam por telas.
Na quinta-feira seguinte, ela voltou à livraria e colocou o envelope no mesmo romance azul, na mesma prateleira. O livreiro apenas piscou, cúmplice, e continuou a organizar os lançamentos.
Os dias passaram devagar. Clara se pegou pensando em quem seria aquele rapaz: alguém tímido? Um poeta? Um professor aposentado? Ela imaginava rostos diferentes a cada manhã enquanto tomava seu café.
Na quinta seguinte, o coração batia um pouco mais rápido quando ela abriu o livro. Lá estava: um novo envelope, desta vez com seu nome escrito na frente. "Clara", dizia, com a mesma letra cuidadosa.
"Fiquei feliz em saber que minhas palavras encontraram você num dia de chuva. Eu me chamo Rafael. Gosto de dias assim também — eles nos obrigam a desacelerar. Me conte: qual é o seu livro favorito?"
E assim, entre páginas e estantes, começou uma conversa que nenhum dos dois imaginava onde iria chegar.