Cartas de Outono

Capítulo 4

Cartas de outono

Por Helena Vasconcelos · 12 de novembro de 2026 · 6 min de leitura

O outono chegou devagar, pintando as árvores da praça de dourado. Clara e Rafael continuavam se encontrando às quintas — mas agora, em vez de cartas escondidas, trocavam bilhetes deixados na geladeira e mensagens escritas à mão nos cantos dos cadernos.

Numa tarde fria, os dois voltaram à livraria juntos. O livreiro, já um amigo querido, os recebeu com dois cafés e o mesmo sorriso de sempre.

Clara tirou um envelope da bolsa. Ela escolheu um livro qualquer na estante de poesia e o colocou entre as páginas, com cuidado.

"Para quem encontrar esta carta: às vezes, as coisas mais bonitas começam com um gesto pequeno. Escreva de volta. Alguém pode estar esperando por você."

Rafael segurou a mão dela enquanto saíam. Lá fora, começava a chover outra vez — aquela chuva fina que faz as pedras brilharem.

E, em algum lugar entre as estantes, uma nova história esperava para começar.